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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Brasil-Saiba comprar vinho

Divulgação
O Estadão / 17 de Novembro de 2013
Por Luiz Horta e Lucinéia Nunes


Saiba comprar para não azedar
Estamos em plena temporada de bota-fora anual de vinhos em importadoras e supermercados. É a hora de dúvida: acreditar na promoção e comprar, correndo o risco de cair numa roubada, ou deixar passar? Nesta edição, o Paladar chama a atenção para aspectos da garrafa que podem alertar que o vinho em questão é uma fria, que nunca vai ser bebido – seu destino é ir para a panela, virar molho.

Veja abaixo quais são os detalhes que indicam que a garrafa não foi bem conservada. Reunimos indicações de rótulos que estão com bons preços e tendem a estar em boa condição – seja pelas características do vinho, que permitem que ele seja armazenado por mais tempo, seja pela idade da garrafa que está em liquidação.

É hora de renovar a adega e há bons achados no meio dos mais de 800 rótulos em oferta em oito importadoras e supermercados.


Foto: reprodução

RÓTULO + GARRAFA
A coisa mais importante a ser observada na embalagem é se há traços de vazamento, alguma gotinha escorrida, pois denota que houve entrada de oxigênio e saída de líquido da garrafa. O aspecto estético do rótulo é secundário. Rótulo rasgado ou sujo pode ser feio, mas não quer dizer nada sobre o conteúdo.

CÁPSULA
A cápsula metálica que recobre a rolha não tem função decorativa: protege a rolha contra fungos e ajuda a evitar seu ressecamento. A falta de cápsula preocupa. Uma garrafa sem ela tem mais risco de estar perdida do que uma garrafa sem rótulo.

ROLHA
Aqui começa o maior problema e ao qual se deve dar mais atenção. Rolha estufada indica que o vinho foi exposto a calor excessivo ou teve alteração (como uma nova fermentação espontânea), empurrando a rolha levemente para fora. Confira, olhando contra a luz, se a pontinha inferior da rolha está bem úmida, pois rolha ressecada encolhe e pode não vedar bem o gargalo, deixando entrar oxigênio.

SAFRA
Não é esnobismo, nem é para ficar olhando aquelas hediondas tabelinhas de safra (“este foi um ano horrível para os Borgonhas”, diz o afetado). Aqui, a utilidade da safra é ver a idade dos vinhos vendidos. Brancos leves, sem madeira, despretensiosos, são para serem bebidos logo, como os rosés simples e os tintos ligeiros, no estilo dos Beaujolais novos: passou de um ano, no máximo (já arriscando bastante) dois, não é mais para comprar.

Uma recomendação adicional, caso pretenda comprar um volume grande: compre uma garrafa, prove e depois complete a encomenda. É melhor que levar caixas para casa e, ao abrir a primeira amostra, arrepender-se.
Foto: Reprodução / Blog O Paladar
1. Miolo Lote 43 2008
Um dos bons vinhos brasileiros, com nariz contido e bom equilíbrio, tem muita elegância, taninos bem trabalhados e boa estrutura. Longo e com agradável passagem pela boca. Perfeito para comida.

2. Churchill’s Tawny 10 Years
Bom tawny com boca equilibrada entre a doçura e a acidez. Ótima evolução, com os aromas de frutos secos e algo de chocolate no nariz. Longo e agradável para tomar sozinho.

3. El Preciado Gran Reserva
Corte em que predomina a Cabernet Franc, com discreta madeira e boa estrutura para aguentá-la. Safra 2006, tem taninos em evolução, presentes, mas finos, Muita qualidade por bom preço.

4. Château de L’Estang 2008
Um bordeaux de boa estrutura, simples, delicioso e pechincha por esse preço. Tem taninos redondos, acidez agradável e bom corpo, com muita fruta madura no nariz. Para beber logo (R$ 45,70, na Vinos & Vinos).

5. Bouza Albariño 2011
Os uruguaios Bouza fizeram este albariño para lembrar sua origem galega. Deu tão certo que ele virou esta curiosidade, o primeiro albariño na América do Sul. É fresco, com boa acidez.

6. Le Comte de Malartic 2009
Nariz elegante, taninos delicados e acidez gostosa com a mineralidade típica da região. É longo e fino na boca, com boa capacidade de guarda. Está pronto, mas vai ganhar com tempo de espera.

7. HM Borges Madeira 3 anos
É um madeira, tem complexidade de frutas secas, traços oxidativos, alguma salinidade no nariz e na boca é o encontro de estrutura, acidez e doçura encantadores. Pura alegria.




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