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IPC Digital Publicado em 24/11/2013 14:39
Exploração de trabalhadores chineses
traz à tona questão da imigração
Turismo de visitantes estrangeiros em alta contrasta com a realidade social vivida pelos residentes migrantes
Foto: Reprodução IPC digital
No entanto, existe uma outra realidade que envolve os cidadãos chineses no Japão, que recebe apenas uma simples atenção midiática. A Associated Press relata a história de um jovem trabalhador cuja situação está longe da de seus prósperos compatriotas que fazem turismo.
Entusiasmado com a oportunidade de triplicar sua renda trabalhando durante três anos no Japão, o jovem trabalhador Wang Zhi Ming deixou seu país Natal, a China, depois de gastar 7.300 dólares para cobrir os custos de viagem e colocação. A realidade que encontrou foi outra. Wang se alistou num programa de capacitação para estrangeiros criado em 1993 que na prática pouco se parece com o que é proposto no papel.
Wang foi designado a uma grande loja de departamentos, onde tinha que encher caixas com roupas, brinquedos e outros produtos. Seu chefe se recusou a fornecer um contrato de trabalho por mês e reteve seu salário.
Quando o chinês e outros trabalhadores estrangeiros se queixaram da situação, o empregador disse que se eles não estavam satisfeitos com suas condições poderiam ir embora. Wang afirma que não tinha outra opção a não se ficar, pois precisava recuperar seu investimento e não tinha moral para regressar à sua casa e contar para sua família que não tinha os 40 mil dólares que pretendia ganhar nos três anos de trabalho no Japão.
CONTROVERSO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO
O programa de capacitação e treinamento tem como objetivo teórico melhorar a capacidade técnica de trabalhadores de países como a China e Vietnã, mas na prática, se torna, às vezes, uma fonte de mão-de-obra barata.
Oito trabalhadores estrangeiros do mencionado programa, entrevistados pela AP, garantem que foram enganados em relação a remuneração,forçados a fazer horas extras e pagar altas quantias de dinheiro pelo aluguel de alojamentos em péssimas condições.
A história de Wang coloca em evidência a precariedade trabalhista de um mercado como o japonês que diante do envelhecimento da população e a redução da força de trabalho contrata estrangeiros a quem muitas vezes não ofece condições mínimas de um emprego.
Shoichi Ibusuki, um advogado que defende trabalhadores estrangeiros, declarou a AP que o programa de treinamento é descrito como uma forma de transferir tecnologia e reforçar o papel do Japão como um país solidário, quando na realidade muitas pessoas trabalham em condições de escravidão. A situação de pessoas como Wang traz novamente à tona a questão dos imigrantes estrangeiros.
REDUÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO
Algumas vozes argumentam que o Japão deveria reconsiderar a sua resistência à imigração, pois ela é vital para a sua sobrevivência econômica. Um estudo do governamento estima que a força de trabalho no Japão, afetada pelo envelhecimento da população e baixa taxa de natalidade, seria reduzida para 44 milhões no próximo meio século.
Os estrangeiros e imigrantes de primeira geração representam menos de 2% da força de trabalho do país, média distante dos 14,2% nos Estados Unidos e 11,7% na Alemanha, para citar alguns exemplos.
Vários setores, inclusive os sindicatos pedem que o controverso programa de capacitação seja substituído por um sistema formal de emprego para trabalhadores estrangeiros, com o propósito de lidar com a escassez de mão-de-obra não-qualificada e à relutância dos jovens japoneses a executar trabalhos difíceis, sujos ou perigosos.
IMIGRAÇÃO SERIA A “SALVAÇÃO”
Hidenori Sakanaka, ex-chefe do Departamento de Imigração de Tóquio, garante que o Japão “precisa de 10 milhões de imigrantes nos próximos 50 anos, ou a economia entrará em colapso”.
"Essa é realmente a nossa única salvação", diz Sakanaka. "Nós devemos permitir (que os estrangeiros) entrem no país assumindo que podem converter-se em residentes do Japão”. No entanto, é pouco provável que isso ocorra num país onde a imigração é percebida como uma ameaça a harmonia social, conforme a AP.
Mais de 20 anos atrás, o Japão começou a conceder vistos especiais aos latino-americanos com ascedência japonesa, mas muitos não puderam adaptar-se a terra de seus antepassados. Além disso, após a eclosão da crise financeira global em 2008, o país ofereceu-lhes dinheiro para que retornassem aos seus países de origem.

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