Foto: reprodução Estadão
SÃO PAULO - Vários estudos já comprovaram que o gás metano produzido por bovinos causa mais impacto na atmosfera que os gases expelidos por automóveis. Mas o potencial energético da produção de gases bovinos ainda provoca surpresas.
Em grandes concentrações, o gás metano pode causar estragos, como descobriu um fazendeiro da cidade de Rasdorf, na região central da Alemanha. O gás metano liberado por 90 vacas leiteiras fechadas em um estábulo provocou uma explosão.
O telhado foi danificado e uma das vacas foi ferido na explosão, segundo informou a polícia.
Uma carga de eletricidade estática teria provocado a explosão com flashes de chamas, informou a polícia em um comunicado citado pela agência de notícias Reuters.
Os serviços de emergência socorreram o fazendeiro e fizeram medições para verificar o nível de gás metano acumulado no local, para verificar o risco de novas explosões.
Segundo os especialistas, uma vaca pode produzir até 500 litros por dia de metano - um gás de efeito estufa.
Gases de bovinos causam mais efeito estufa que os automóveis
SÃO PAULO - A emissão de gás metano por bovinos preocupa os cientistas brasileiros que estudam os efeitos dos gases de efeito estufa na atmosfera.
Segundo o matemático Rafael de Oliveira Silva, da Unicamp, medidas simples e de baixo custo poderiam reduzir em cerca de 20% os gases de efeito estufa emitidos pela pecuária no Brasil.
O Inventário Nacional de emissões de gases estufa, elaborado pelo governo brasileiro, indica que a criação de gado bovino para corte responde por 15,4% do gases, superando a queima de combustíveis fósseis, que geram 15,1% do total de gás jogado na atmosfera.
Em novembro do ano passado, o presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Philipp Scheimer, afirmou o automóvel tem sua parcela de participação no aquecimento global, mas não é o 'grande vilão'. Segundo o executivo da Mercedes, "vacas são responsáveis por 18% do aquecimento global, enquanto que o setor de transporte responde por 13,5%".
O estudo do matemático Rafael Silva junto, do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Unicamp, foi feito em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Faculdade Rural da Escócia e o Instituto Nacional de Pesquisa Agronomia da França.
A pesquisa insere-se no âmbito do projeto internacionalAnimalChange, cuja meta é estimular a pecuária sustentável, reduzindo as emissões de gases no setor.
O governo brasileiro, lembra Rafael Silva, se comprometeu, durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 15), a reduzir, voluntariamente, as emissões de GEEs entre 36% e 39% até 2020.
Potencial. Especialistas apontam a atividade agropecuária como uma das principais responsáveis pelas emissões de poluentes que elevam a temperatura do planeta, sobretudo no Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo com 212 milhões de cabeças.
O processo de digestão do gado bovino libera o gás metano, cujo potencial para causar o efeito estufa é 25 vezes maior do que o CO2, por exemplo.
Segundo o pesquisador, a expectativa era de que a diminuição do consumo da carne bovina poderia atenuar o impacto da atividade agropecuária sobre os gases do efeito estufa.
Proposta. Mas, um modelo matemático elaborado por ele demonstrou o contrário. "Conforme nossos cálculos, um aumento de 30% na demanda pelo gado de corte reduzirá 4% do total das emissões de gases de efeito estufa", declarou ao Jornal da Unicamp.
"Uma diminuição no consumo da carne na mesma proporção elevaria em 5% as emissões totais. Nossa avaliação reforça que a recuperação de pastagens é a maior oportunidade do país para retirar o carbono da atmosfera", aponta o pesquisador.
Rafael Silva afirma que a redução no consumo da carne reduziria a produção de gado de corte, abalando as pastagens, o que levaria à queda do sequestro de carbono da atmosfera. No fim das contas, as emissões seriam maiores, diz o matemático.
A recuperação de pastagem tem um custo negativo para o setor, mas o potencial é 17 vezes maior do que o de todas as outras tecnologias avaliadas, afirma ele.
Segundo o pesquisador, esta tecnologia tem potencial para reduzir a poluição em 23,4 megatoneladas de CO2 por ano.
Cerrado. Isso significa que cerca de 20% das emissões anuais de gases de efeito estufa poderiam ser reduzidas no Cerrado brasileiro, a mais importante região para produção de carne bovina no país.
Segundo ele, a recuperação das pastagens aumenta o sequestro de carbono e também evita o desmatamento.
O matemático explica que o custo da tecnologia seria negativo, porque traria ganhos ao setor. A recuperação de pastagens degradadas retiraria, via fotossíntese, o carbono da atmosfera e, ao mesmo tempo, elevaria a lucratividade do setor.
Os resultados apresentados pelo matemático compõem dissertação de mestrado defendida por ele em novembro. Na pesquisa, Rafael Silva desenvolveu um modelo para identificar e analisar as principais tecnologias capazes de reduzir as emissões de gases de efeito estufa na pecuária.
Foto: reprodução / Estadão
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