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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Manisfestações de Insatisfações sem Organização Política

Divulgação
Asia Comentada
Por Paulo Yokota | 12 de Junho de 2013

Qualquer motivo, como a elevação das tarifas de transportes, acaba desencadeando manifestações populares violentas, como está se observando em São Paulo e no Rio de Janeiro, que começam a se organizar na forma de Passe Livre. As insatisfações populares generalizadas não conseguem ser captadas pelas organizações políticas que gozam hoje de baixa credibilidade, tendendo a tornar estas manifestações anárquicas. Aproveitam as situações onde as autoridades contam com menos disposição de diálogos com as massas, com reações policiais também violentas, como também se observa na Turquia, onde Taksin virou um campo de batalha. Imita-se o que ocorreu na chamada primavera árabe em vários países. E a mídia, principalmente eletrônica, espalha as imagens que proporcionam oportunidades para uma evidência imediata, mesmo momentânea daqueles que desejam aparecer.

Não parece ser preciso ser especialista em ciências políticas, sociólogos ou antropologistas para diagnosticar esta situação que ainda não é clara. A credibilidade das autoridades, quer seja do Executivo, do Legislativo e até do Judiciário, parece baixa. Os jovens que não se manifestavam por muito tempo acabam encontrando espaços para expressarem seus desejos de participação, ainda que inicialmente de forma quase anárquica, aproveitando a ampla gama de insatisfações, sem que haja propostas organizadas. A classe política está evidenciando o seu fracasso, sendo incapaz de organizar um sistema onde estas massas de insatisfeitos tenham uma forma de se expressar de forma democrática.
Reprodução Asia Comentada
Reprodução Uol Notícias
Reprodução Uol Notícias
Reprodução Asia Comentada
Manifestação na Turquia
É evidente que o quadro econômico ajuda neste processo. Quando o cobertor é curto, nem todas as reivindicações legítimas podem ser atendidas. As prioridades escolhidas pelas autoridades parecem não se concentrar nas necessidades imediatas das grandes massas urbanas que sofrem com as deficiências dos transportes coletivos, e de outras necessidades básicas da população.
A mídia vem generalizando a ideia que todos os políticos cuidam somente de seus interesses pessoais, o que pode ser parcialmente uma verdade, mas é certamente injusto com os poucos que pretendem servir à comunidade. As autoridades do Executivo acabam sendo rotuladas como muitas vezes despreparadas, com baixa capacidade de gestão, e que concentram suas atenções para as possibilidades de longas permanências no poder, com objetivos meramente eleitorais.
Não se trata de insatisfação somente com as deficiências dos transportes, mas da segurança pública, da saúde, da educação, de moradias e todas as necessidades sociais da população. Os que desejam trabalhar honestamente, que é ainda a maioria, acabam sendo desestimulados pelas ondas de corrupções e desonestidades que não se restringem somente ao setor público. Alguns acabam sendo captados por movimentos como os dos sem terras e sem moradia. Os sempre marginalizados indígenas acabam provocando invasões.
O moral da população parece acabar sendo afetada, e os segmentos mais ousados, que se concentram nos jovens, desencadeiam ainda de forma desorganizada suas insatisfações. Os seres humanos de bem precisam adquirir a consciência que há um processo grave em andamento, e sem um mínimo de organização política, os custos destes desarranjos serão elevados.

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