Divulgação | Asia Comentada | 11 de Agosto de 2013
Por: Paulo Yokota
Mas acabou depois crescendo como uma bola de neve e daquele ano de 1990 para 2013, período denominado duas décadas perdidas após o estouro da bolha econômica. Os gastos com saúde e programas de bem-estar aumentaram 2,5 vezes, inclusive com o envelhecimento da população, enquanto as receitas tributárias caíram 25% com a falta de crescimento da economia e necessidade de estímulos adicionais com corte de tributos.
O artigo informa que nos países europeus os títulos governamentais tiveram uma forte elevação dos seus riscos, com muitos investidores se livrando deles e algo semelhante poderia acontecer no Japão. Mas poucos são os analistas que entendem que o Japão não teria como honrar os seus compromissos. Isto porque o Japão é um dos maiores credores mundiais, ainda tendo que efetuar um write off (excluir de sua contabilidade) parte dos seus créditos. Outra diferença com a Europa é que 90% dos bonds japoneses estão nas mãos dos investidores locais. Em fins de 2012, os bancos locais, empresas de seguro e o sistema postal (espécie de caixa econômica) contavam com 65,3%, o Bank of Japan com 13,2% e as instituições financeiras públicas com 8,6%, segundo o artigo.
As autoridades monetárias japonesas adotaram a mesma política de monetary easing dos Estados Unidos, aumentando a dívida interna e conseguindo a desvalorização do yen, para tornar a sua economia mais competitiva em termos internacionais.
O governo enfrenta a difícil tarefa de reduzir o seu déficit orçamentário através da reconstrução fiscal, pois ainda precisa enfrentar os problemas da contaminação radioativa do nordeste do país, necessitando elaborar medidas concretas para restabelecer a saúde fiscal.
Como não existe ainda uma perspectiva clara sobre o futuro da economia, não há como assegurar o aumento da sua receita fiscal com o seu crescimento, necessitando cogitar do aumento dos impostos, cujos detalhes ainda não estão estabelecidos. Existe uma forte corrente propondo o aumento do imposto de vendas do atual 5% para 10% em etapas, sendo a primeira para um possível patamar de 8%, talvez em dois aumentos. Mas, receia-se que isto provocaria um arrefecimento do atual entusiasmo pelo crescimento.
Também se cogita de elevar a contribuição dos idosos com poder econômico para as suas despesas médicas, que atualmente é de 10% para 20%, sem que se tenham ainda os detalhes para tanto. O governo decidiu que estas medidas impopulares serão tomadas, havendo necessidade de seu detalhamento.
Eles esperam, com exagerado otimismo, que a participação japonesa do TPP – Acordo de Parceria Transpacifica ajude no aumento das suas exportações, alavancando o crescimento de sua economia. Mas todos os participantes também aguardam os mesmos resultados, ainda que sofrendo restrições internas para a concessão das facilidades tarifárias.
Por: Paulo Yokota
Depois do entusiasmo inicial com a política econômica de Shinzo Abe, que acabou recebendo da imprensa mundial a denominação de Abeconomics, começam as ser enfrentadas as duras realidades com o aumento brutal da dívida pública japonesa que atingiu o maior percentual do mundo, superando o da Grécia. Um artigo publicado no Yomiuri Shimbun explica alguns detalhes da última reunião do primeiro-ministro japonês com o Conselho de Política Econômica e Fiscal na última quinta-feira para discutir uma solução, quando algumas orientações foram estabelecidas, ainda que as medidas para a redução da assistência social e o inevitável aumento dos impostos tenham que receber detalhamentos adicionais.
A dívida pública japonesa superou aos US$ 10 trilhões no final do segundo trimestre deste ano, chegando a 200% do PIB japonês, enquanto a da Grécia está a 160% e a dos Estados Unidos em 100%. O artigo informa que estes dados compatíveis com as internacionais serão publicados trimestralmente e compreendem: os montantes dos títulos públicos (bonds), os empréstimos (borrowing) e notas financeiras (financing bills), emitidos para financiar o Tesouro Nacional a curto prazo.
A dívida pública japonesa superou aos US$ 10 trilhões no final do segundo trimestre deste ano, chegando a 200% do PIB japonês, enquanto a da Grécia está a 160% e a dos Estados Unidos em 100%. O artigo informa que estes dados compatíveis com as internacionais serão publicados trimestralmente e compreendem: os montantes dos títulos públicos (bonds), os empréstimos (borrowing) e notas financeiras (financing bills), emitidos para financiar o Tesouro Nacional a curto prazo.
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| Primeiro-ministro Shinzo Abe durante reunião do Conselho de Política Econômica e Fiscal Foto: Reprodução Asia Comentada |
O artigo explica que, por duas décadas depois da Segunda Guerra Mundial, o Japão não contava com dívida pública por causa do seu crescimento econômico e da arrecadação tributária. Em 1965, começaram a ser emitidos títulos para financiar os gastos das Olimpíadas em 1964 em Tóquio. Foram se ampliando com os gastos de assistência social no país que estavam sendo aumentados, mas até 1990 o endividamento estava controlado.
Mas acabou depois crescendo como uma bola de neve e daquele ano de 1990 para 2013, período denominado duas décadas perdidas após o estouro da bolha econômica. Os gastos com saúde e programas de bem-estar aumentaram 2,5 vezes, inclusive com o envelhecimento da população, enquanto as receitas tributárias caíram 25% com a falta de crescimento da economia e necessidade de estímulos adicionais com corte de tributos.
O artigo informa que nos países europeus os títulos governamentais tiveram uma forte elevação dos seus riscos, com muitos investidores se livrando deles e algo semelhante poderia acontecer no Japão. Mas poucos são os analistas que entendem que o Japão não teria como honrar os seus compromissos. Isto porque o Japão é um dos maiores credores mundiais, ainda tendo que efetuar um write off (excluir de sua contabilidade) parte dos seus créditos. Outra diferença com a Europa é que 90% dos bonds japoneses estão nas mãos dos investidores locais. Em fins de 2012, os bancos locais, empresas de seguro e o sistema postal (espécie de caixa econômica) contavam com 65,3%, o Bank of Japan com 13,2% e as instituições financeiras públicas com 8,6%, segundo o artigo.
As autoridades monetárias japonesas adotaram a mesma política de monetary easing dos Estados Unidos, aumentando a dívida interna e conseguindo a desvalorização do yen, para tornar a sua economia mais competitiva em termos internacionais.
O governo enfrenta a difícil tarefa de reduzir o seu déficit orçamentário através da reconstrução fiscal, pois ainda precisa enfrentar os problemas da contaminação radioativa do nordeste do país, necessitando elaborar medidas concretas para restabelecer a saúde fiscal.
Como não existe ainda uma perspectiva clara sobre o futuro da economia, não há como assegurar o aumento da sua receita fiscal com o seu crescimento, necessitando cogitar do aumento dos impostos, cujos detalhes ainda não estão estabelecidos. Existe uma forte corrente propondo o aumento do imposto de vendas do atual 5% para 10% em etapas, sendo a primeira para um possível patamar de 8%, talvez em dois aumentos. Mas, receia-se que isto provocaria um arrefecimento do atual entusiasmo pelo crescimento.
Também se cogita de elevar a contribuição dos idosos com poder econômico para as suas despesas médicas, que atualmente é de 10% para 20%, sem que se tenham ainda os detalhes para tanto. O governo decidiu que estas medidas impopulares serão tomadas, havendo necessidade de seu detalhamento.
Eles esperam, com exagerado otimismo, que a participação japonesa do TPP – Acordo de Parceria Transpacifica ajude no aumento das suas exportações, alavancando o crescimento de sua economia. Mas todos os participantes também aguardam os mesmos resultados, ainda que sofrendo restrições internas para a concessão das facilidades tarifárias.

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